quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O início da Odisséia

Eu era pequeno,
Você um tanto implicante,
Brincávamos até vir o sereno,
Só bebíamos refrigerante,

Quase sempre me aborrecia,
Ou então fazia isso contigo,
Mal sabia que o que acontecia,
Bem mais tarde faria sentido

Mesmo incompatíveis em teoria,
Viria o destino que conspiraria,
Filhos únicos que se adotariam,
Sem saber que um dia se adorariam

Mas até lá não foram só flores,
Crianças também provocam dores,
Ainda que sem esta intenção,
Causam o aprender da decepção

Como o que não mata fortalece,
O sentimento mais forte prevalece,
E com a aquisição de algum conhecimento,
Fica mais fácil ensaiar um relacionamento

Só na simulação pois a época é a adolescência,
Hormônios em ebulição mas com consciência,
Nada fácil mas tinha que ser feito,
A primeira namorada é pra sempre de respeito

Difícil era explicar pro corpo esse dilema,
Ainda mais com tanta oferta eis o problema,
Como querer naquela inexperiente idade,
Manter a tal da famigerada fidelidade?

E assim andamos em caminhos paralelos,
Com bastante coisa havendo em comum,
Meio separados mas mantendo os elos,
Sem a real pretensão de litígio nenhum

Até o dia em que nossa hora chegou,
Aquele momento que seu sorriso eternizou,
Sentir seu corpo tremer sabendo que gostou,
São coisas que em mim o tempo jamais apagou

Assim chegaria ao ápice nossa intimidade,
Não poderia diferente sobre a cumplicidade,
Depois da primeira ...nova realidade,
Dois jovens querendo...haja atividade

Tudo sugeria uma extensa continuidade,
Porém toda alegria parece não ser eterna,
Apesar de estarmos em franca felicidade,
Algo não seguiu a tendência fraterna

E como bons amigos nos separamos,
Do mesmo jeito que hoje continuamos,
Muito provavelmente como seremos,
Entre os netos que acredito que teremos

Uma coisa é certa riremos bastante,
Continuo com gosto pelo seu humor causticante,
Mesmo dele estando meio distante,
Tem na minha história papel relevante

Até lá vivendo um pouco o presente,
Deixo um beijo deveras contente,
Por ter tido a chance quem diria,
De ter sido com você o início da alegria :)







Doces cliques...

Era um misto de intensas sensações,
Num admirável mundo de novas emoções,
As quais nos fazem mudar as intenções,
Quando atingem bem mais que os corações

Trata-se de uma então menina deslumbrante,
Com aquele olhar desesperadoramente insinuante,
De um silêncio que se fazia inquietante,
Cujo incêndio em mim jazia irradiante

Missão para um tímido? Quase impossível,
Mas minha libido não me deixaria impassível,
E no que chamaria de reviravolta incrível,
Fiz pro desejo um caminho transponível

E mesmo bem encabuladamente dizendo,
Um início de contato foi então se tecendo,
No duelo da atração e do receio me roendo,
Estava levando do jeito que ia podendo

Sempre fui uma pessoa bem sincera,
Isso até hoje qualquer indivíduo repara,
Naquela época como obviamente se espera,
Não falava muito mas dizia com a cara,

Por isso tenho a ligeira impressão,
Que isso até facilitou minha situação,
Já que não funcionava a interlocução,
Olha no olho e deixa falar o coração

Mas acabei gostando da desenvoltura,
E para melhorar aprimorei a estrutura,
Após este crucial passo respondi à altura,
A expectativa da qual ela fazia a moldura

E percebi que existia a sonhada reciprocidade,
Trazendo euforia e bastante felicidade,
Sem contar outros pensamentos com maldade,
Me desculpem mas estava no meio da puberdade

Bem como nos amores juvenis,
O nosso aconteceu sem um bis,
Cada um seguiu uma outra diretriz,
Ao que me parece conseguindo ser feliz

Mesmo assim deixo um fato a se registrar,
Um detalhe que carinhosamente noto,
Seu sorriso bem como esse olhar,
Continuam muito bem na foto ;)

Segundo período

Atendendo aos anseios coletivos,
De um retorno por motivo de saudade,
Venho por meio desta em tom assertivo,
Dizer-lhes que estou de volta à atividade

Foi apenas uma pequena pausa na programação,
Nem imaginaria causar-lhes essa insatisfação,
Desculpem-me por tê-los deixado assim na mão,
Prometo daqui pra frente prestar mais atenção

É que entre limites e derivadas e reatâncias fiquei,
E nem de todas aquelas fórmulas me livrei,
Mas o importante é que em alguma coisa  passei,
O que ficou pendente mais tarde resolverei

Então bola pra frente que a matéria é nova,
E a galera também, pelo menos em parte,
Se não estudarmos vai rolar aquela cova,
Depois da AV2 a gente pensa em fazer arte

Aos já conhecidos portanto "tamo junto",
E a quem se apresenta eu digo bem vindo,
Que possamos somar neste novo conjunto,
Que até a formatura vai crescendo e diminuindo

Mas jamais perderá a sua essência,
Pois nasceu sob a égide da competência,
Ainda que tenhamos alguma latência,
TODOS vamos graduar nesta ciência...

Combinados?

Bruno Anjos

Tá pegando a rota do fim...

Eu sei que em mim você pensa,
Bem como a razão pela qual não liga,
Acreditas que tal sacrifício compensa,
O desconforto de causar uma briga

Mal sabe aquele a quem poupas,
O inverso da proporção que causa,
Suas chances se tornam bem poucas,
Dessa penitência não ganhar uma pausa

Seria mais seguro um minuto comigo,
Do que manter esse desejo contido,
Cogitar uma repressão sem motivo,
Costuma não dar num bom arquivo

De onde me encontro só posso te olhar,
Ver o que passa e apenas lamentar,
As atitudes ou decisões que se devem tomar,
São todas suas eu apenas tenho que esperar

Afinal a torcida é para te ver sempre feliz,
Procurando maximizar essa iniciativa,
E alguma experiência no tema me diz,
Que a lida com a implicância é cansativa

Se por motivos óbvios pretendes mantê-lo,
Procure explicar que não sou o inimigo,
Pois se ele de fato por ti possui um zelo,
Melhor rever o que chama nesse sentido

Vai ser muito chato ficar ali olhando,
As pessoas sorrindo se abraçando,
Você no canto discutindo chorando,
Sem precisar estar por isso passando

Isso tudo é fruto daquela escolha,
Mas uma hora vai estourar essa bolha,
Antes que mais prejuízo se recolha,
Pega uma garrafa e me encontra, eu tiro a rolha ;)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Mais uma de Carnaval...

Era pra ter postado no carnaval mas... esqueci. Mas como serve pro ano todo...

Na boa... esse ano tá puxado.

Me desculpem mas eu não consigo,
Encontrar numa festa um sensato abrigo,
Pros efeitos nocivos da nossa inoperância,
Que só me fazem rejeitar tanta discrepância

Com gente morrendo por tanto motivo,
Não dá pra usar carnaval como desculpa,
Fica simplesmente sem qualquer sentido,
Ignorar o caos e sambar desconhecendo a culpa

Me digam qual poderia ser a dança,
Capaz de sobrepor a morte da criança,
Que fugia em busca apenas de segurança,
E faz parte da lista triste da destemperança

Ou como seria a eventual coreografia,
Capaz de justificar a causticante hipocrisia,
De se juntar o resto dos últimos recursos,
Para esquecer por três dias as tragédias em curso

Tirando as pessoas que vivem do evento,
Pelas outras sinceramente só lamento,
Não parecem perceber a gravidade do momento,
E preferem agir com a conivência como procedimento

Para os que já estão combalidos pela crise,
E talvez assim compreendam o que digo,
Ainda que forçadamente é bom que se frise,
Tenham em mente que nem tudo está perdido

Ainda é possivel fazer algo,
Desde que se tenha um alvo,
Mas com foco e resignação,
Não há espaço para ilusão

Se você prefere calar e curtir a folia,
Tudo bem, desejo paz a bom retorno a agonia,
Ao seu direito eu respeito e portanto não discuto,
O que não impede meu sentimento de luto

Boa sorte para todos e viva a democracia,
Cada um na sua e seguindo a liturgia,
Só espero que os dias que virão após,
Cobrem a conta para somente um de nós...

Bruno Anjos

Tem que ter alguma razão...

Acho que finalmente entendi...

Ao ver tanta gente tida como ruim,
Que bem existe e das quais ninguém vê o fim,
Tenho a impressão de que são necessárias,
Para as pretensões astrais, que pelo jeito são várias

Seria mais ou menos como na elétrica,
Onde para algo funcionar é preciso uma força,
Teria a vida para nós uma estranha métrica,
Que olhando rapidamente parece até tosca

Que outra razão explicaria por exemplo,
O sofrimento de milhares ao mesmo tempo,
Por não serem assistidos nem perto do contento,
Por aquele que deveria executar este procedimento

Ou a repente agonia de apenas um,
Vendo-se na tragédia sem motivo algum,
Dilacerado na truculência de uma autoridade,
Que acha lícito agir com tal crueldade

Isto foge completamente a compreensão,
Se for desvinculado do principio da lógica,
Nem mesmo tentando filtrar pela religião,
Há de se compilar teoria ao menos módica

Pois quando a coisa envolve crianças,
Tidas por padrão como seres inocentes,
A maior fé sofre do inexplicável a cobrança,
Já que nunca apresenta um motivo coerente

Porém através de uma ótica racional,
Seja possível entender a dinâmica sugerida,
E interagir um pouco melhor afinal,
Nesta trama em que cada mente nasce envolvida

O ditado é antigo mas não parece fazer efeito,
Não aprende no amor então vai na dor, bem feito,
Adicionando à este a idéia de causa e efeito,
Fica ainda mais fácil entender todo o conceito

Se todos praticassem desde sempre o bem,
Para se corrigir ou doutrinar não haveria à quem,
Por consequência tese e antítese inexistiria,
E a figura do errado simplesmente desapareceria

Como nossa existência é vivida em etapas,
E aquela utopia como sabemos nem na criação,
Para nos evoluir as "chineladas" são exatas,
Mas não vêm com manual de instrução

Por isso muita gente acumula mancada,
E o contador pessoal vai só registrando,
Depois não sabe por que toma pancada,
Ou já chega no mundo só apanhando

Aí entra o cerne da polêmica questão,
Sobre a origem da questionável conduta,
É para basicamente isso então,
Que existe e não morre o famoso "filho da puta"

A missão dele só pode ser,
Vacilando contigo lhe fazer aprender,
O que um dia fizeste por merecer
E assim sanando a dívida e te permitindo crescer,

Quem sabe algo que está por vir,
No intuito de deixá-lo preparado,
Pode o sistema querer instruir,
E deixar seu caminho futuro facilitado

Ou seja errar faria parte da programação,
Mesmo não sendo essa uma orientação,
Mas estando uma vez o advento à disposição,
É sabiamente usado como ferramenta posterior de correção

O problema está somente na quantidade,
Tomara que seu caso seja bem pequeno,
Vai ser bem chato ficar pela eternidade,
Mesmo sem entender provando seu próprio veneno,

Sem contar que a cada falta cometida,
Voltarás novamente ao final da imensa fila,
Remarcando inconsciente seu encontro com ele ou uma filha,
E fazendo sua meta mais distante de ser cumprida...

Bruno Anjos

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

No obscuro do escuro

Véi... tem que ter phé.... 25h sem energia elétrica...

E nada da caixinha aparecer...

E de repente me vejo no apuro,
Quando do nada fico todo no escuro,
Nem vejo onde é que eu seguro,
Tomara que encontre o que procuro..

Xi, acabou a bendita da energia,
Logo na hora que ia começar a alegria,
Ja estavam subindo as letrinhas da novela,
Só me resta olhar o breu pela janela

Onde será que guardei aquela vela,
Estou certo de que sobrou um cotoco,
Sabia que nao devia dar um fim nela,
Que ainda podia me servir mais um pouco

Pedacinho de luz deveras salvador,
Com um dá até pra pensar em procurar mais,
Mas pra deixar de permanecer sofredor,
Falta um negocinho chatinho por demais

Cadê o fósforo dessa casa que não se acha,
Ninguém aqui fuma então inexiste isqueiro,
Se tivesse com sede jamais faltaria cachaça,
Como encontrar essa agulha no palheiro?

Nesse intervalo o smartphone quebra um galho,
Sem o advento desta lanterna eu estava arrasado,
Pro meu sucesso está sendo um belo atalho,
Imagina tal missão sem um pontinho iluminado?

Enquanto isso tem uns que vêem assombração,
Outros se encontram com antepassados,
Tem os que partem direto para a ação,
E em nove meses se descobrem bem enrolados

Pena ser difícil pra botar o sono em dia,
Normalmente afeta negativamente a temperatura,
Sobra tempo mas vira uma tremenda agonia,
Sem ventilador e com aquele mosquito quem atura?

O pior é pensar em todo o procedimento,
Na migração do perecível para o isopor,
Fazer correndo e evitar futuro aborrecimento,
Ou esperar e ter que se entender com o calor?

Nada a fazer só nos resta aguardar,
O milagre da vida e a geladeira ligar,
Pode ser em meia hora ou ao sol raiar,
Depende diretamente da hora que me deitar

Mas como fazê-lo lembrando da cerveja a esquentar,
Ou da carne no freezer que vai descongelar,
Da televisão que na volta pode se queimar,
Nem sei se torço pro fornecimento retornar

O jeito é tirar tudo da tomada
E ir ligando novamente aos poucos,
Há quem ache a idéia exagerada,
Sorte do bolso que sou meio louco

Pelo menos assim meu som bem resiste,
E sigo minha saga ouvindo meu charme,
Também preservo o microondas que ainda assiste,
Na cerimônia do miojo se a festa for até tarde

Solução ideal para acabar com toda a dor,
Perder um dinheiro mas comprar um gerador,
Pode cair um meteoro e ficarei só no amor,
Meu único problema é o saldo bancário a se opor...

Bruno Anjos

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

WE are the world? Sure? Really?

Parece que foi ontem...e pensar que eu achava aquele cenário temeroso...era feliz e não sabia... Há trinta anos eles se reuniram, Achando que pela idéia causariam, A reforma que numa música eternizariam, Mal sabiam o fiasco que produziriam Sem dúvida foi nobilíssima a intenção, Recrutar agentes através do coração, Só não contavam que apesar da comoção, Faltasse ao mundo muito mais que união E assim angariaram alguns recursos, Conseguindo até salvar sortudas vidas, Pelo menos enquanto ecoavam os discursos, Porque depois continuaram estas seguindo combalidas Como vemos passaram-se três décadas, Mas a lástima de outrora ainda continua, Tem-se notícia toda hora de pessoas acéfalas, Na manutenção da tragédia da mesma forma nua e crua Não saberia dizer do que afinal precisamos, Já que o teoricamente óbvio parece não se aplicar, Se com fome, doença e violência não nos preocupamos, O que será necessário para nos acordar? Triste fato é que vi o clipe quando criança, E tinha a esperança de ver aquele mundo melhor, Porém hoje possuo a indelével desconfiança, De que era feliz e que devo me preparar para o pior Acho que está na hora de outra era do gelo, Ao menos a natureza recupera seu espaço, Se não cuidamos dele não merecemos tê-lo, Assim evita-se da humanidade o total fracasso Pois todos conhecem a bela canção, Entretanto recusam-se a praticar a lição, E pra ficar só ouvindo "we are the world" no último volume, É melhor desaparecer, já que não se assume Ou pelo vilão que continua massacrando impune, Quem sabe a sociedade observando se achando imune Como se estivessem olhando para um estrume Da forma hipócrita que usam de costume Afinal ninguém gosta de cheiro de merda, Podendo ficar longe certamente o farão, Acontece que um dia eventualmente se herda, Um passado delas e que à sua porta chegarão... Bruno Anjos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Qual é a cor da sua Alma ?

Pessoal, numa boa, não precisa disso,
Ela é aliás muito maior que tudo isso,
Deixa pra lá o indexar pela cromatologia,
Fica só com sua fé e sinta dela a magia

E daí se uns acham sua pele branca,
Que mal fará se a devoção for franca?
Ou se preferem olhar como sendo preta,
O que invalida a prática desta bela faceta?

Qual o problema se parecer japonesa,
Quem sabe lembrar uma linda índia,
Nada tira a essência nem a beleza,
Independente do que sugere a mídia

Então a considerem como uma energia,
Consequentemente sem forma ou cor,
E que portanto creio que não se importaria,
Se fosse lembrada apenas com muito amor

Inclusive sem esse lance de oferecer barquinho,
Que só serve para infelizmente poluir,
Muito melhor seria outro tipo de carinho,
Algo que nos mostre que conseguimos evoluir

Afinal quando nos devotamos a intenção é essa,
E tenho a impressão de que assim a faríamos alegrar,
Seguindo em frente sem nada que nos impeça,
De louvar como merece nossa mãe Yemanjá

Pois se nem o mar possui um único tom,
Por que sua rainha assim deveria tê-lo,
Feche seus olhos e escute este lindo som,
E me diga se há aquarela que consiga contê-lo...